Não faço ideia do que é estar grávida!

E a probabilidade diz-me que os leitores deste blogue também não. Pelo menos a julgar pelos nomes dos participantes das edições anteriores. Há Ricardos, há Rubens, há Marcelos e Nelsons mas não me lembro de ver nenhumas Sofias, Carolinas e claro está, Marias.

Em vez de ficarem aí em casa ou no estúdio a conceber o próximo modelo carregadinho de clichés em relação às mulheres (por favor não apresentem coisas amarelas e cor-de-rosa com muito espaço na mala para as compras) saiam um bocadinho e conversem com as vossas amigas, namoradas e mães. Falem pouco, ouçam muito. E tirem muitas notas.

A prova do benefício desta estratégia está no post da Rosa Cordeiro. http://premiodesign.automagazine.pt/author/rosa-cordeiro/
É incrível como dez linhas de texto escritas por uma mulher contêm ideias que facilmente servem para definir uma identidade (Safety is the new chic) ou projectar soluções para problemas específicos (vidros à prova de bala).

A realidade diz-nos que a mulher moderna (e o homem, e a criança e os avós modernos) têm uma hierarquia de valores necessariamente diferentes da geração anterior. A indústria automóvel adormeceu ao volante e têm uma crise de identidade profunda para resolver. A crise económica e o facto de mais pessoas estarem a adquirir uma consciência ambiental criou um mercado que está desesperado por soluções que estejam alinhadas com esses valores.

Esta é uma grande oportunidade para se mostrar como será um carro para a mulher do século XXI. A vantagem deste exercício é que não estamos vinculados à inércia da organização e da indústria em geral, nem presos a nenhum tipo de modelo de negócio.

Sugeria pensar neste problema duma forma mais sistémica. Que papel tem o carro na mobilidade da mulher moderna? De que forma pode este carro facilitar as transições entre diferentes tipos de transporte? Pensem nos modelos do tipo City Car Share  ou Zipcar que têm aparecido na Europa e Estados Unidos.

Quase todos os objectos electrónicos de hoje estarem a ficar conectados entre si – os carros fazem parte deste grupo. Que tipo de oportunidades é que estas condiçoes nos oferecem para inovar? Que beneficio podemos trazer para o utilizador? Nos smartphones de hoje compra-se o hardware e actualiza-se o software de ano a ano. Como é que este modelo pode ser traduzido para a industria automovél?

Pensem nas linhas e nas proporções, afinal de contas isto é um concurso de design. Mas que isto seja só um terço dos vossos esforços. Falem com mulheres e pensem na indústria a um nível macro para os outros dois.

Boa Sorte!

 

Ricardo Figueiroa

One Response to “Não faço ideia do que é estar grávida!”

  1. Duarte Castelo Branco diz:

    Olá a Todos

    Antes de mais, quero dizer ao Ricardo que escreve muito bem, em adição aos seus excelentes conselhos.
    Seguindo a linha do discurso do Ricardo, pensem que um automóvel para a mulher do sec. XXI é um veiculo feito de soluções, soluções essas que só podem ser resolvidas mediante as questões que as precedem.

    Perguntem às mulheres que conheçam, perguntem a quem não conduz ou a quem não tem automóvel, perguntem às crianças (têm uma notável visão pratica das coisas). Aos homens que participam neste concurso, perguntem a outros homens o que eles acham. Isto vai dar-vos uma noção dos vossos preconceitos em relação ao automóvel e dar-vos-á também uma noção das vossas próprias limitações em compreender a mulher e o que ela necessita.
    Provavelmente não vos darão a solução mas montes de perguntas do género ” E se?”. Este “E se?” é uma expressão clássica dos brain storming e ajudar-vos-á a reduzir a variedade de trajectos possíveis até essa solução.

    Acima de tudo, pensem em como o vosso desenho traduz essas soluções. O desenho tem de as respirar e ser transparente. Lembrem-se que o Júri avaliará isto mesmo. O modo como o projecto se vende a si mesmo sem ter uma quantidade de texto a enumerar equipamentos.
    Mesmo que não vençam, isto terá sido um grande passo em frente na expansão das vossas qualidades como designers e cidadãos do mundo.

    Um abraço a Todos

    Duarte Castelo Branco

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